Da picaretagem em nome de Deus (por Francœur)
“Ele se sentia como um pastor de televisão, empacotando Deus para o consumo das massas.”
— Dan Brown
Certos fulanos dizem falar “em nome de Deus”, aí exortam pessoas já notoriamente necessitadas e até com problemas de moradia a enviar a eles, por exemplo, pelo menos 30% de sua renda por pelo menos seis meses, que então, após este tempo, receberiam de Deus algum prêmio ou recompensa.
Isto é um absurdo, porque um Ser Infinito como Deus, se existe, não faz barganhas nem é comprado; admitir isto é reduzir o Infinito às mesquinharias humanas relativas aos pequenos negócios, é uma enorme tolice!
Tal dinheiro vai para as instituições destes fulanos ou para as contas bancárias deles, não para Deus. Não negamos a validade das contribuições daqueles que frequentam instituições às quais creditam alguma ligação com Deus, mas então deveria ser assumido que os donativos são para as instituições, que eventualmente deles necessitam para a sua manutenção, não para Deus! Nestes casos, deveria ser considerada a disponibilidade de cada um, não cobrar-se quantias demasiadamente elevadas para pessoas em situação financeira mais desfavorecida!
Admitindo que Deus existe e é onipresente, então não precisa que ninguém Lhe dê coisa alguma, pois já possui tudo e é o Todo.
Ademais, nenhuma pessoa pode afirmar-se porta-voz ou arauto de Deus, visto que, assumindo as mesmas premissas acima colocadas de Sua existência e onipresença, temos que Deus está igualmente presente em tudo quanto há, em todas as coisas e seres, daí é errôneo atribuir-se a alguém um sentido de “autoridade divina” e daí dar-lhe dinheiro ou recursos como se tal fulano fosse um intermediário de Deus!
Que todos nós tenhamos um melhor discernimento e compreendamos que Deus não precisa que lhe deem nada, pois já está em tudo, e que ninguém precisa de nenhum intermediário para chegar a Deus, visto que Ele/Ela já está inteiramente em cada um de nós!
